domingo, 15 de novembro de 2009

120 anos depois - a Proclamação da República:

Hoje é uma data comemorativa, embora milhares de brasileiros nem tenham percebido isso, porque o feriado ocorreu num domingo de sol, felizmente. Há cento e vinte anos, num dia como esse, muitos intelectuais, artistas e políticos da elite paulista e carioca, imbuídos de interesses variados, descontentes com a política de Dom Pedro II e querendo "modernizar" o país, aliados a militares que compartilhavam dessa mesma ideologia, deram um golpe, conhecido como Proclamação da República.
Na verdade, esse processo republicano não era nenhuma novidade na política internacional e vinha sendo implantado em diversas partes do mundo, pois cabia bem aos projetos capitalistas de industrialização e modernização do mundo que chegava ao fim do século XIX com avanços tecnológicos incriveis. No caso do Brasil, essas idéias chegaram às discussões das elites, há tempos, por causa do contato com a Europa que se dava pelos portos e pelos trilhos dos trens.
A República mostrava-se uma alternativa interessante, ao passo que a monarquia passava a representar o atraso pelo fato de centralizar o poder e concentrá-lo nas mãos de poucos, não abrindo espaço aos burgueses, por exemplo. Essa idéia, foi retirada da Roma Antiga, quando os romanos decidiram que a melhor forma de administrar a coisa pública era descentralizando o poder através da divisão de cargos eletivos.
Além desse exemplo histórico, viria a experiência dos Estados Unidos, que desde a sua independencia, haviam constituído uma Federação, o que lhe permitira (em tese) um desenvolvimento rápido e eficaz em todos os sentidos, de modo que em fins do século XIX aquele país já dava pistas que viria a ser a nova potencia mundial. As teses republicanas realmente tiveram um embasamento e tanto!
Porém, a República na prática, não foi esse mar de rosas. Inicialmente, a miséria e a pobreza continuaram da mesma maneira que antes da troca do sistema de governo. Depois, o poder se concentrou nas mãos das oligarquias paulista e mineira e vieram o voto de cabresto e outras irregularidades.
Nesses 120 anos, a República brasileira viu alguns golpes militares, o estabelecimento de uma ditadura, o impeachment de um presidente, algumas reeleições, e, mais recentemente, o crescimento do neoliberalismo. Na atual conjuntura, nem mesmo é possível diferenciar os partidos políticos, pois na maioria dos casos, compartilham de posturas semelhantes, embora as bandeiras que defendam sejam aparentemente distintas.
Não apenas o conceito de república foi buscado na antiguidade clássica. Outro conceito que a envolve também tem origem nela. Nesse caso, na Grécia, nesse caso, a democracia. Seu sentido aqui, refere-se a liberdade de escolha e de ação do individuo na sociedade.
Nos dois casos, esses conceitos são amplamente discutíveis, pois tem uma distorção de significado, a medida que não respeitam ou gerenciam a vontade popular. Houve a mudança de sistema de governo, mas o poder continua concentrado na mão de uma elite, que hoje é burguesa e está a serviço do capital.
Vivemos dias em que o trabalhador, que é grande parte da população desse país, é explorado cotidianamente por toda uma cadeia de relações que passa pelas chefias e principalmente pelo governo, que cobra impostos caríssimos, retira seus direitos e usa recursos do povo para bancar o prejuízo das grandes indústrias. Uma república que deixa seus cidadãos no escuro da falta de compromisso e responsabilidade.
Enfim, é um dia pra pensarmos no muito pouco que temos pra comemorar, não é mesmo?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mara Manzan - saudades!


Hoje pela manhã, faleceu a atriz Mara Manzan, que trabalhou em diversas novelas da Globo, sendo sempre sinônimo de alegria, por dar vida a personagens cômicos e marcantes. Sua estréia na TV deu-se ao lado da saudosa Nair Belo, num núcleo especialíssimo que fazia parte da inesquecível novela A Viagem, de 1994.
Sua partida breve deveu-se a complicações cancerígenas e teve como ponto de partida o grande vilão da história da humanidade: o cigarro. Que a vida da atriz seja lembrada pelas grandes alegrias proporcionadas por papéis marcantes na dramaturgia.
Que a morte sirva para comprovarmos mais uma vez o quão prejudicial é o vicio do fumo para as pessoas que não se tratam desse mal.
Enfim, que para sempre possamos lembrar desse exemplo de vida, raça e superação, pois desde o início do tratamento há dez anos, Mara Manzan nunca desistiu de lutar pela vida e de acreditar em um milagre. Foi esse o segredo de uma sobrevida tão longa e sempre sorridente.
Descanse em paz, querida!

Madona, mia!

Madona está no Brasil, e dai? Ela é uma pessoa como outra qualquer, com as mesmas fraquezas e as mesmas necessidades.
Brasileiro tem mania de paparicar e encher a bola de quem não merece. É lamentável.
Fico envergonhada ao ver imagens que retratam pessoas histéricas que só fazem aumentar o ego de alguém que sequer conhecem.
Deixem-na em paz e poupem as nossas notícias dessa falta de conteúdo!!!
Como diz o Willian Boner no twitter: quem concorda comigo diga EU!

Apagão burguês:

Antes que o leitor pense que eu defendi o governo com relação ao apagão, é preciso deixar claro que eu penso que esse problema que ocorreu deve-se a ingerência dos nossos governos, sim. Porém, é patético ver a oposição querendo cobrar explicações sobre o ocorrido, quando eles próprios deram inicio a essa situação no início dos anos 2000, quando FHC estava em pleno segundo mandato.
Em outras palavras, pra mim são todos iguais. A incompetência dos partidos que estão no poder é a mesma. PT e PSDB tem as mesmas deficiências sobre vários aspectos, embora tenham origens históricas e ideológicas distintas. É lamentável, mas a esquerda desse país se endireitou. A exceção que há nesse meio é o PSTU, que continua com a mesma bandeira desde a sua fundação.
Voltando ao assunto, o que lamento profundamente com relação à isso tudo, é o fato de os poderosos se prevalecerem do blecaute para faturar às nossas custas. Digo e repito. Penso que o blecaute pode ter sido causado por falhas das máquinas, porque toda máquina é falível.
Se isso poderia ter sido evitado, é outra história, que compete aos especialistas no assunto. Eu, como leiga que sou nessa área, não discuto nem opino. Aceito o que houve e ponto.Até os estado-unindenses sofreram com um apagão recentemente e não será a última vez que as luzes se apagarão.
Agora, o que é irritante é ver todo o alarde em cima do blecaute, como se esse fosse o único problema do país. Como se tudo se resolvesse ao xingar essa situação. Ninguém fala no adiamento do ENEM e do SARESP, que na semana passada, por incompetência da empresa responsável, não ficou pronto a tempo, deixando milhares de alunos paulistas a ver navios na hora das provas.
Além disso, a indústria reclama porque deixou de lucrar milhões. Ontem vi uma reportagem em que se dizia que a Volkswagen deixou de fabricar não sei quantos carros. Sem citar as comidas de restaurantes caros que estragaram e assim por diante.
Ninguém fala dos trabalhadores cansados, que ao voltar do trabalho, tiveram suas vidas expostas a todo tipo de perigo. Enquanto se estragavam frutos do mar caríssimos, milhares de brasileiros não tem sequer um ovo para alimentar-se. É essa face burguesa do apagão que eu gostaria de refletir.
É bem verdade que não é salutar ficar sem energia elétrica, mas, quantos séculos o homem viveu sem ela? Pelo menos 19 nessa nova era (a era cristã). Mesmo assim, foram feitas as sete maravilhas do mundo. Não faz muito tempo, o interior do Brasil não tinha energia elétrica e todos viviam, casavam, tinham filhos, trabalhavam e eram felizes.
É bom ter acesso a todos os meios técnológicos da era pós-moderna, mas, é preciso repensar essa dependência, não é mesmo?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão, mais uma vez:

Quando faltava um dia pra eu completar 15 anos, a luz se apagou em boa parte do Brasil. Foi uma noite de sono gostoso, afinal o dia seguinte me reservava a data que toda a menina sonha. Era 11 de março de 1999 e o prenúncio de tempos dificeis, energéticamente falando. Depois desse primeiro blecaute, o Brasil tomou conhecimento das precárias condições em que se encontrava todo o sistema energético do país, que pra variar, enquanto crescia o consumo de bens ligados na energia, não se pensava em como ampliar essa estrutura e o colapso foi inevitável.
Os anos seguintes foram muito dificeis, porque tivemos de conviver com um racionamento de energia que acabou enfraquecendo politicamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sacrificando a todos. A seguir, vieram taxas caríssimas na conta de luz, que tornam o serviço caro e deficiente em diversas partes do país.
Ontem, novamente, a luz se foi e ainda não há explicação, pois há dez anos, era possível usar a falta de chuvas, a ditadura militar e coisas do tipo. Mas, e hoje?
Já escutei todo o tipo de explicação e nenhuma delas me convence. Os homens mais religiosos do governo (faz-me rir) disseram que foi a vontade de Deus. Como se Ele fosse responsável pelo mau gerenciamento que os homens fazem dos recursos naturais da terra.
Depois, veio como justificativa uma invasão de racker's e até mesmo outras coisas bizarras como uma retaliação de Fernandinho Beiramar e uma revolta do MST. Creio que em pouco tempo, acusarão qualquer cidadão comum pelo ocorrido, inclusive eu.
É impressionante que em tempos onde lemos nas bancas de revista que os carros movidos a energia se tornarão uma realidade, tenhamos que conviver com essa escuridão. Mas, essa escuridão é bem apropriada pra falar de Brasil.
Essa falta de luz até que ilumina, pois devido à ela, a imprensa teve conteúdo transbordante. Não se falou em outra coisa nos telejornais...
Além disso, os políticos aproveitaram pra aparecer e dar opiniões, como se fosse culpa exclusivamente de quem tem um mandato na mão e como se o passado nem existisse. PSDB cobrar explicação sobre apagão é piada... Mas, o povo não tem memória...
O fato é que isso serve pra refletirmos sobre os bilhões de dólares que são injetados no setor anualmente e que pode ter sido um defeito normal, que não deveria ter acontecido, mas aconteceu e milhares de pessoas foram afetadas e poderiam ter morrido por causa dessa falha. Que o episódio de ontem sirva para trazer soluções e não para esconder erros maiores e problemas profundos de uma sociedade que paga tantos tributos e mesmo assim não consegue ter segurança, saúde e educação dignas.

domingo, 8 de novembro de 2009

Intolerância na UNIBAN:

O que dizer da patética cena protagonizada pela aluna da UNIBAN (Universidade Bandeirante de São Paulo), no Campus São Bernardo do Campo, no último dia 22? Na ocasião, Geysi Vila Nova Arruda estava assistindo aula com seu minivestido, quando foi fotografada por colegas nesses trajes e a seguir sofreu uma humilhação pública, sendo xingada por milhares de colegas da faculdade.
Barbaridade. Esse é o primeiro termo apropriado. Ele se refere às grosserias cometidas por estudantes preconceituosos que em pleno século XXI, se preocupam com as vestimentas alheias.
São hipócritas que criticam o vestido da moça, dizendo que ele fere a moral e os bons costumes, mas, essas mesmas pessoas, muitas vezes, saem com prostitutas e travestis às escondidas. São pessoas que apontam o que consideram ser um erro da outra pessoa, para desta maneira esconder seus próprios erros.
Essa agressividade toda não combina com uma juventude que não quer ter compromissos quando o assunto é sexo. Não combina com uma sociedade individualista como essa em que a gente vive, onde mal se conhece os vizinhos de casa.
A atitude também reflete o preconceito contra a mulher. Ninguém achincalha gratuitamente um cara que exiba as partes do seu corpo em camisas abertas, por exemplo. Essas pessoas, devem provavelmente acreditar que quando um estupro acontece isso se deve ao fato de a mulher ter "provocado" o abuso. Como se ela fosse culpada pelo crime. Como se o homem fosse um animal que despertada a sua fome, tivesse esse direito.
Ontem, a UNIBAN expulsou a aluna, divulgando uma nota publicada em todos os principais jornais, para mais uma vez humilhar a aluna, colocando a opinião pública a par de um assunto que deveria ser resolvida na própria instituição. Os argumentos, obviamente são machistas e refletem o preconceito e a hipocrisia que estiveram presentes ao caso desde o início.
Fala-se que a Geysi teria um comportamento imoral há tempos. O que é moral, numa sociedade como a nossa? É vestir-se bem e roubar as pessoas, como fazem nossos representantes?
Muitos a acusaram de ser prostituta. Qual o problema? O fato de uma mulher vender seu corpo, não pode excluí-la do acesso à Educação. Na universidade em que estudei, por exemplo, havia muitas garotas de programa, porém, nunca tivemos esse tipo de problema, pois para a maioria dos estudantes, isso era problema delas e não nosso. Lembro-me que até mesmo travestis usavam o banheiro feminino e eram respeitados por nós, pois a nosso ver, quem estava conosco eram pessoas humanas, independentemente do gênero.
Que esse lamentável episódio possa nos fazer refletir a respeito de intolerâncias, preconceitos e conceitos como moral e ética. A essa altura da História da Humanidade não é mais possível conviver com os velhos paradigmas e hipocrisias do passado.
Se as pessoas querem viver a própria vida sem depender de ninguém, tem que encarar a vida das outras como algo que também não lhes diz respeito. Deixem a roupa dos outros, seus comportamentos e atitudes em paz!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O castigo de Requião:

É impressionante como a vida prega peças nas pessoas. Independentemente de condição social, credo religioso ou visão política. Basta uma fala ou escrita irrefletida e pronto!
Uma semana após a ridicula fala do governador do Paraná, Roberto Requião, em que este disse que tem homem tendo cancer de mama por causa da Parada Gay, ele sofre um acidente caindo de um palanque. O incidente demonstra, que ninguém é dono da verdade e que todo ser humano é frágil.
Que na recuperação Requião reflita sobre as besteiras que disse, pois além de demonstrar desconhecimento e preconceito, mostraram o lado arrogante de sua personalidade. É muito feio para um governador expressar todas essas características.
Melhoras, Requião!!!