O objetivo do blog é comentar assuntos diversos que se relacionam com o cotidiano das pessoas. Destacando-se desde assuntos mais leves, como teledramaturgia, até reflexões mais profundas, como análises da conjuntura em seus vários aspectos. Pretende-se interagir com amigos e demais visitantes, para que todos saibam o que pensa e sente uma historiadora.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Palestra
No próximo dia 23, estarei na UnG-Campus Dutra, para apresentar uma palestra a respeito dos exílios no pós AI-5. Os interessados devem comparecer ao prédio A, a partir das 18h30. É imperdível!
Dia Mundial da Saúde - poucos motivos de comemoração
Hoje, 7 de abril, é o Dia Mundial da Saúde, data intituída pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para refletir a cerca das questões que a cercam. É dia de pensarmos nesse setor, que no nosso país, vive em constante precariedade.
As condições de salubridade nessas terras, pelo que se tem nos registros históricos, sempre foram um problema muito sério, desde a colonização. O lixo, por exemplo, só passou a ser recolhido em S. Paulo, no final do século XIX. Na Bélle Époque, o Rio de Janeiro sofria com a falta de saneamento e com incomodos mosquitinhos (situação, que não foi resolvida até os dias atuais). E só não foi pior, por causa do hábito que os indigenas ensinaram a quem os subjugou: o banho diário.
Mesmo no século XXI, temos notícias de lugares em que não há saneamento básico. Isso, explorando, obviamente a questão preventiva que se refere à saúde.
No campo da sanidade propriamente dita, há muitos absurdos. O primeiro, com relação aos impostos que pagamos para mante-la e na esperança de melhorá-la. Nos final dos anos 90, por exemplo, o então ministro de FHC, José Serra, criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), também conhecida como "Imposto do Cheque", em que toda e qualquer movimentação bancária era alvo de uma taxação que em tese iria custear uma grande melhoria no SUS (Sistema Único de Saúde).
Na prática, o dinheiro nunca se destinou ao seu objetivo inicial. Pagamos milhões e não vimos nada de novo acontecer no setor. Felizmente, num passado recente essa contribuição foi cessada.
Mas, a saúde, está na UTI há muito tempo, o que vemos, são hospitais sem a infra-estrutura necessária para salvar vidas, e até mesmo para cuidar delas. Há muita omissão de socorro, tanto por parte dos funcionários, quanto por parte dos governos que deveriam administrá-la de maneira satisfatória, mas não o fazem. Ao contrário, usam-na como bandeira em tempo de eleição, mas abondanam a causa logo em seguida.
Como acontece em outras areas, a saúde virou um negócio dos mais lucrativos. Os empresarios que investem no setor, ganham milhões de reais, oferecendo um serviço que muitas vezes deixa a desejar, mesmo nos casos em que se paga valores exorbitantes. As carencias e as recusas à doenças pré-existentes também são casos a parte. Em outras palavras, paga-se caro, mas não se pode utilizar o serviço para uma cirurgia nos primeiros meses de plano e nem para tratar uma enfermidade, embora o objetivo do produto seja justamente o de oferecer tratamento!
Enfim, é dia de refletirmos sobre todas essas questões e lamentar pela falta de avanço e progresso, embora a medicina nunca tenha evoluído tanto como agora!
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Instituto Ricardo Brennand - cultura ao alcance de todos.
Recentemente, pude realizar um grande sonho: visitar o Instituto Ricardo Brennand em Recife. Lá, fica instalado um museu que possui um acervo riquissimo do Brasil holandês, com obras de Franz Post e de diversos artistas dos séculos XVII e XVIII, que retrataram além das paisagens pernambucanas, muitas outras do Brasil colonial.
O acervo é riquissimo, além dessas pinturas, tem tapeçarias, moedas antigas, esculturas, representações, tudo muito bem completo, tudo muito bem feito. Sem contar que o espaço é um castelo medieval instalado bem no meio do bairro da Várzea - que fica próximo a Cidade Universitária.
O local não deve nada aos melhores museus do circuito S. Paulo - Rio de Janeiro, por sua preocupação com cada detalhe. Além disso, professores de todo o Brasil tem acesso pagando meia-entrada, como ocorre nos museus paulistas. Tudo isso demonstra, que a cultura brasileira não se localiza mais num eixo economico, mas, ela está cada vez mais acessível a todos, em todas as regiões do país.
A dica postada aqui, é válida pra todos que curtem arte da melhor qualidade.
O acervo é riquissimo, além dessas pinturas, tem tapeçarias, moedas antigas, esculturas, representações, tudo muito bem completo, tudo muito bem feito. Sem contar que o espaço é um castelo medieval instalado bem no meio do bairro da Várzea - que fica próximo a Cidade Universitária.
O local não deve nada aos melhores museus do circuito S. Paulo - Rio de Janeiro, por sua preocupação com cada detalhe. Além disso, professores de todo o Brasil tem acesso pagando meia-entrada, como ocorre nos museus paulistas. Tudo isso demonstra, que a cultura brasileira não se localiza mais num eixo economico, mas, ela está cada vez mais acessível a todos, em todas as regiões do país.
A dica postada aqui, é válida pra todos que curtem arte da melhor qualidade.
Solidariedade ao povo italiano
A semana santa começou com uma noticia que nos deixou tristes. A região centro-sul da Itália sofreu um grave terremoto, que matou mais de 130 pessoas e deixou milhares desabrigados/desalojados.
Nesse momento de dor, faz-se necessário registrar aqui a solidariedade a todos os italinos, bem como, a certeza de que estaremos rezando pra que de tudo certo.
domingo, 5 de abril de 2009
Morte de Márcio Moreira Alves
Foi enterrado ontem o corpo do jornalista Márcio Moreira Alves, um desconhecido para a maioria das pesssoas, mas, uma figura fundamental para a história recente do nosso país. Sobre ele, há muitos registros em livros sua trajetória de vida política na década de 60 do século XX.
É incrível como as pessoas nao conhecem fatos preponderantes da sua história e suas figuras fundamentais, como no caso de Márcio Moreira Alves. Foi através de um discurso seu, pronunciado de maneira desastrosa na Camara dos Deputados, em 1968, que o Brasil saiu do Regime Militar (entre 1964 e 1968), para adentrar na fase mais obscura de sua história, ou seja, na Ditadura Militar (de 1968 a 1985).
Sobre este fato, discuti muitos de seus elementos em minha monografia de conclusão de pós, entregue à Universidade Guarulhos, no ano passado.
Márcio, após assistir a uma peça teatral que gerava polemica (estou falando de Roda Viva, de Chico Buarque), disse em plenária palavras que ofenderam profundamente ao governo Costa e Silva. A proporção de tal fato foi tanta, que o referido deputado, teve de passar por um julgamento na Comissão de Ética. Essa foi a deixa, para que homens do governo (entre eles Ernesto G. Médici) começassem a articular um plano que envolvesse o controle politico do país, numa ditadura.
Nesse período, já se perseguiam os estudantes e se torturava as pessoas consideradas mais ofensivas ao sistema. Mas, não se tinha chegado a um nível tão radical.
Em 12 de dezembro de 1968, os deputados absolveram Moreira Alves. O resultado? A decretação do AI-5, que fechou o congresso nacional, cassou os direitos políticos de inúmeras pessoas, exilou diversos artistas, religiosos e politicos da oposição, intituiu a censura aos meios de comunicação, entre outras coisas. Instaurou um período de terror no país, em que pessoas foram torturadas e mortas.
A tal ditadura, não teve nada de branda, como tenta sujerir a Folha de S. Paulo nos últimos meses, como forma de diminuir sua participação ao lado da direita nos anos acima citados.
Enfim, morre uma parte da nossa história, que não podemos esquecer jamais.
É incrível como as pessoas nao conhecem fatos preponderantes da sua história e suas figuras fundamentais, como no caso de Márcio Moreira Alves. Foi através de um discurso seu, pronunciado de maneira desastrosa na Camara dos Deputados, em 1968, que o Brasil saiu do Regime Militar (entre 1964 e 1968), para adentrar na fase mais obscura de sua história, ou seja, na Ditadura Militar (de 1968 a 1985).
Sobre este fato, discuti muitos de seus elementos em minha monografia de conclusão de pós, entregue à Universidade Guarulhos, no ano passado.
Márcio, após assistir a uma peça teatral que gerava polemica (estou falando de Roda Viva, de Chico Buarque), disse em plenária palavras que ofenderam profundamente ao governo Costa e Silva. A proporção de tal fato foi tanta, que o referido deputado, teve de passar por um julgamento na Comissão de Ética. Essa foi a deixa, para que homens do governo (entre eles Ernesto G. Médici) começassem a articular um plano que envolvesse o controle politico do país, numa ditadura.
Nesse período, já se perseguiam os estudantes e se torturava as pessoas consideradas mais ofensivas ao sistema. Mas, não se tinha chegado a um nível tão radical.
Em 12 de dezembro de 1968, os deputados absolveram Moreira Alves. O resultado? A decretação do AI-5, que fechou o congresso nacional, cassou os direitos políticos de inúmeras pessoas, exilou diversos artistas, religiosos e politicos da oposição, intituiu a censura aos meios de comunicação, entre outras coisas. Instaurou um período de terror no país, em que pessoas foram torturadas e mortas.
A tal ditadura, não teve nada de branda, como tenta sujerir a Folha de S. Paulo nos últimos meses, como forma de diminuir sua participação ao lado da direita nos anos acima citados.
Enfim, morre uma parte da nossa história, que não podemos esquecer jamais.
Refletindo sobre os realitys shows
Desde o ano 2000, as emissoras de tv do mundo todo, vem se dedicando a um tipo de programa muito interessante: os realitys shows, que consistem em acompanhar a vida de pessoas comuns através de programas que tem as mais diversas propostas.
O pioneiro no Brasil, foi o programa "No Limite", que era apresentado por Zeca Camargo, cuja proposta, era colocar os participantes em situações que os colocassem no limite de suas condiçoes fisicas e emocionais, partindo de provas feitas em ambiente inospito, geralmente entre dunas de areia. A proposta consistia em desafios emocionantes, e na primeira edição, a grande vencedora foi uma mulher obesa.
De lá pra cá, inúmeros realitys shows foram realizados nas mais diversas emissoras, sob as mais diversas propostas. Na maioria dos casos, esses programas oferecem premios capazes de transformar completamente a vida das pessoas comuns. Por isso mesmo, são atrativos para público e para os participantes, que são capazes de tudo, para conseguir uma vaga em tais programas.
Atualmente, há muita discussão a respeito dos realitys shows, pois a curiosidade e o envolvimento das pessoas, são muito evidentes. Alguns psicólogos dizem que o interesse por esse tipo de atração, coloca o homem no papel de um deus, capaz de controlar suas pseudo criaturas (com a decisão de eliminação, por exemplo), e que o voyerismo é uma prática que pode se desenvolver em tais condições.
Contudo, o excesso é contra-indicado. Ficar o dia inteiro acompanhando a vida alheia em pai-per-view não é lá muito saudável. Mas, dar uma espiadinha esporadicamente, não faz mal nenhum a ninguém, afinal, a curiosidade é uma característica inerente ao ser humano.
Há tres programas nesse formato, em exibição, e que fazem muito sucesso nos dias de hoje. O primeiro, o Doutor Hollywood, exibido pela Rede TV, que trás um cirurgião brasileiro/americano, que realiza proezas no campo da cirurgia plástica. É interessante a proposta, pois mistura medicina e o cotidiano do médico e de seus pacientes.
Além desse programa, há na Rede Record o Troca de Família, que mostra as experiencias de famílias que invertem os papéis de mãe/pai, por uma semana. É interessantíssimo ver como as realidades diferentes se aproximam ou se combatem. A grande reflexão é: "será que a casa do vizinho é realmente melhor que a minha?". Nos dias de inversão de papéis, além de agregar valor as famílias, com a nova realidade, as pessoas aprendem a respeitar as diferenças e a valorizar sua familia de origem. Quando a situação é conflituosa entre as partes, torna-se ainda mais atrativo.
Por fim, devo falar da coqueluche desse tipo de programa: o Big Brother. Primeiro, esse nome remete ao livro do George Owel, que trata de um provavel 1984, onde o comunismo dominaria o mundo, e haveria olhos pra vigiar todas as pessoas.
Como sabemos, o comunismo nao chegou a tanto, mas, no programa, as cameras vigiam os participantes confinados numa casa. As pessoas se propoem a passar cerca de tres meses confinadas, a fim de alcançar um premio milionario no final do programa.
Esse ano, a Rede Globo, que tem o direito de exibir a atração no Brasil, teve uma tacada de mestre, dividiu os participantes em lado A e lado B, a fim de ela mesma promover as panelinhas tão comuns na atração. O objetivo foi alcançado com grande exito.
Porém, acompanhar esses momentos tem sido um tanto penoso, pois os ultimos sobreviventes na casa, além de expostos a tarefas complexas, que exigem força e resistencia, demonstram em seu cotidiano total falta de solidariedade. Nos ultimos dias, por força da curiosidade, tenho visto o programa e me chocado com a atitude dos jogadores que pertenceram a panela B.
Eles simplesmente ignoram a participante Ana, que implora atenção e o dialogo com os demais participantes. Tenho feito reflexões a cerca do lado psicologico desta moça, que deve estar bem abalado, ou prestes a desmoronar. Imaginemos essa situação: dias isolados num ambiente sem comunicação com o mundo exterior, em meio a pessoas desconhecidas e sem ter atenção. É o fim. O cúmulo da humilhação.
Ontem me estarreceu a cena em que Ana pedia pra conversar com Francine e esta, além de tratá-la mal, pediu que Priscila a agredisse com o peso de musculação. É muito triste uma cena dessa ser colocada no ar. É muito triste ver que as pessoas são capazes de tanta desumanidade em nome de dinheiro.
Enfim, tudo isso que foi exposto, serve pra analisarmos e refletirmos a cerca dos nossos valores humanos. Mesmo em condições limites, a nossa dignidade humana deve prevalecer. Da realidade, devemos extrair esses exemplos, para nao segui-los e entender até onde vai a ambição de homens e mulheres,
O pioneiro no Brasil, foi o programa "No Limite", que era apresentado por Zeca Camargo, cuja proposta, era colocar os participantes em situações que os colocassem no limite de suas condiçoes fisicas e emocionais, partindo de provas feitas em ambiente inospito, geralmente entre dunas de areia. A proposta consistia em desafios emocionantes, e na primeira edição, a grande vencedora foi uma mulher obesa.
De lá pra cá, inúmeros realitys shows foram realizados nas mais diversas emissoras, sob as mais diversas propostas. Na maioria dos casos, esses programas oferecem premios capazes de transformar completamente a vida das pessoas comuns. Por isso mesmo, são atrativos para público e para os participantes, que são capazes de tudo, para conseguir uma vaga em tais programas.
Atualmente, há muita discussão a respeito dos realitys shows, pois a curiosidade e o envolvimento das pessoas, são muito evidentes. Alguns psicólogos dizem que o interesse por esse tipo de atração, coloca o homem no papel de um deus, capaz de controlar suas pseudo criaturas (com a decisão de eliminação, por exemplo), e que o voyerismo é uma prática que pode se desenvolver em tais condições.
Contudo, o excesso é contra-indicado. Ficar o dia inteiro acompanhando a vida alheia em pai-per-view não é lá muito saudável. Mas, dar uma espiadinha esporadicamente, não faz mal nenhum a ninguém, afinal, a curiosidade é uma característica inerente ao ser humano.
Há tres programas nesse formato, em exibição, e que fazem muito sucesso nos dias de hoje. O primeiro, o Doutor Hollywood, exibido pela Rede TV, que trás um cirurgião brasileiro/americano, que realiza proezas no campo da cirurgia plástica. É interessante a proposta, pois mistura medicina e o cotidiano do médico e de seus pacientes.
Além desse programa, há na Rede Record o Troca de Família, que mostra as experiencias de famílias que invertem os papéis de mãe/pai, por uma semana. É interessantíssimo ver como as realidades diferentes se aproximam ou se combatem. A grande reflexão é: "será que a casa do vizinho é realmente melhor que a minha?". Nos dias de inversão de papéis, além de agregar valor as famílias, com a nova realidade, as pessoas aprendem a respeitar as diferenças e a valorizar sua familia de origem. Quando a situação é conflituosa entre as partes, torna-se ainda mais atrativo.
Por fim, devo falar da coqueluche desse tipo de programa: o Big Brother. Primeiro, esse nome remete ao livro do George Owel, que trata de um provavel 1984, onde o comunismo dominaria o mundo, e haveria olhos pra vigiar todas as pessoas.
Como sabemos, o comunismo nao chegou a tanto, mas, no programa, as cameras vigiam os participantes confinados numa casa. As pessoas se propoem a passar cerca de tres meses confinadas, a fim de alcançar um premio milionario no final do programa.
Esse ano, a Rede Globo, que tem o direito de exibir a atração no Brasil, teve uma tacada de mestre, dividiu os participantes em lado A e lado B, a fim de ela mesma promover as panelinhas tão comuns na atração. O objetivo foi alcançado com grande exito.
Porém, acompanhar esses momentos tem sido um tanto penoso, pois os ultimos sobreviventes na casa, além de expostos a tarefas complexas, que exigem força e resistencia, demonstram em seu cotidiano total falta de solidariedade. Nos ultimos dias, por força da curiosidade, tenho visto o programa e me chocado com a atitude dos jogadores que pertenceram a panela B.
Eles simplesmente ignoram a participante Ana, que implora atenção e o dialogo com os demais participantes. Tenho feito reflexões a cerca do lado psicologico desta moça, que deve estar bem abalado, ou prestes a desmoronar. Imaginemos essa situação: dias isolados num ambiente sem comunicação com o mundo exterior, em meio a pessoas desconhecidas e sem ter atenção. É o fim. O cúmulo da humilhação.
Ontem me estarreceu a cena em que Ana pedia pra conversar com Francine e esta, além de tratá-la mal, pediu que Priscila a agredisse com o peso de musculação. É muito triste uma cena dessa ser colocada no ar. É muito triste ver que as pessoas são capazes de tanta desumanidade em nome de dinheiro.
Enfim, tudo isso que foi exposto, serve pra analisarmos e refletirmos a cerca dos nossos valores humanos. Mesmo em condições limites, a nossa dignidade humana deve prevalecer. Da realidade, devemos extrair esses exemplos, para nao segui-los e entender até onde vai a ambição de homens e mulheres,
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Tempo Pascal!
É incrível como o tempo passa rápido, né?
Ainda outro dia, estávamos envolvidos pelo espírito do Natal. Daí, vieram as férias e, num piscar de olhos: carnaval. É incrível, mas, já estamos em tempo de coelhinho da Páscoa!
Domingo agorá, já é a celebração de Ramos. Dentro em pouco, estaremos ver o Cristo ressucitar.
Sobre esse tempo pascal, é preciso reafirmar que o verdadeiro sentido da páscoa não é (em absoluto), o consumo exagerado de chocolates, nem tampouco, o descanso do feriadão.
Na verdade, esse é o tempo idela pra repensarmos muitos de nossos valores, com relação à fé, a religiosidade e, principalmente, com relação ao fato de sermos cristãos.
Sim, porque, ser cristão e participar da páscoa são uma coisa só.
Todo o mistério de Cristo, vem da doação de Jesus na última ceia aos seus irmãos os apóstolos, e da certeza de que na celebração da partilha do pão, encontraríamos o Senhor. Assim tem sido feito nos últimos dois mil anos, porém, nos últimos tempos, há uma banalização da páscoa, que tem sido comercializada, como tantos outros momentos especiais da vida das pessoas, que foram quantificados pelo mundo capitalista.
Há pouco, eu assisti a uma reportagem do Jornal Nacional, em que se ressaltava os efeitos da crise na páscoa. Alguns ovos de chocolate chegaram a um aumento de cerca de 30%, se comparados com o preço no mesmo período do ano passado. A justificativa? Crise, claro!
Enquanto os empresários tentam justificar dizendo que os produtos são elaborados com matéria-prima importada, milhares de pessoas esquecem-se das milhares de pessoas que sequer podem se alimentar todos os dias, que todos esses simbolos foram inventados na história recente da humanidade, e que, doces, nada tem haver com esse momento.
Antes de morrer, Jesus foi humilhado, teve as vestes despojadas, deram-lhe vinagre pra beber e uma pesada e tortuosa cruz pra carregar. Parece-me, nesse contexto, mais coerente, que se fizesse campanhas de doação de roupas, reflexões a cerca da falta de àgua e alimentação (pois milhões de pessoas no mundo todo morrem de fome e sede todos os anos), e que as pessoas revissem questões como tortura, por exemplo.
Em suma, esse é o modelo que melhor refletiria o espírito da páscoa, a meu ver. Porém, não posso deixar de admitir que em nada esse modelo se encaixa no atual sistema capitalista. Sendo assim, como esperar que as pessoas da sociedade de consumo percebam que a páscoa é feita pura e simplesmente de Jesus Cristo?
Como esperar que as pessoas estejam atentas para o fato de que esse é o momento de passagem? Sim, porque a Páscoa é a passagem da morte para a vida. Da escravidão para a liberdade, da doença para a sanidade e assim por diante.
De qualquer modo, não posso de desejar algo em especial:
FELIZ PÁSCOA!!!
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