Há alguns meses, tá ocorrendo em S. Paulo, uma série de discussões em torno dos ônibus fretados. Esse meio de transporte é muito utilizado por quem mora nas periferias ou nas cidades do entorno da capital, ou até mesmo do interior paulista, favorecendo a uma parcela significativa de trabalhadores.
No entanto, esse ano, um vereador da cidade, alegando que esses transportes têm atrapalhado o trânsito da capital, resolveu fazer uma lei na qual muda os critérios desse tipo de locomoção na cidade. Dessa maneira, muda a vida de milhares de pessoas.
Como sempre, um desocupado, que possivelmente não tem horário a cumprir, vem à tona para gerar polêmicas. O infeliz parlamentar, provavelmente não enfrenta trens e metrôs lotados, para chegar ao serviço antes das oito da manhã. Deve desconhecer também as causas que levam ao caos no trânsito da maior cidade do país.
O uso de ônibus fretado, além de conforto aos usuários, proporciona uma economia e tanto para o trânsito e dá uma aliviada no uso de coletivos. Cada veiculo desse porte, transporta cerca de quarenta passageiros, reduzindo consideravelmente os carros nas ruas, diminuindo a poluição.
Solucionar o caos no trânsito, esse infeliz não tenta, mas complicar a já tão complicada vida de quem mora longe e trabalha no centro, ele faz. A população deveria infernizá-lo, para que ele não ousasse procurar mais pelo em ovo.
O objetivo do blog é comentar assuntos diversos que se relacionam com o cotidiano das pessoas. Destacando-se desde assuntos mais leves, como teledramaturgia, até reflexões mais profundas, como análises da conjuntura em seus vários aspectos. Pretende-se interagir com amigos e demais visitantes, para que todos saibam o que pensa e sente uma historiadora.
terça-feira, 30 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
40 anos depois...
Essa imagem é reflexo dos quarenta últimos anos de descaso com a Educação no Brasil. Período este, em que houveram várias modificações no sistema, através das novas LDB's (Leis de Diretrizes e Bases da Educação). Num primeiro momento, o Brasil, da ditadura nascente, estava na vigência da LDB de 1961, uma educação voltada para o trabalho, onde o ensino se dividia em: primário, admissão, ginasial e colegial (normal, científico e o magistério).
A educação era estendida a grande parte da população, não tendo os aspectos elitistas das duas décadas anteriores, mas, os novos alunos eram co-responsáveis por sua formação. A imagem, reflete a cobrança da família com relação ao bom desempenho do estudante, pois se entendia que era na escola que se tinha início um futuro brilhante.
A seguir, veio a nova LDB, de 1971, em que se dividia o ensino em 1º e 2º grau, com acesso amplo às escolas, sobretudo nas grandes cidades. Começava uma precarização gradativa, que objetivava tirar dos estudantes a consciência social e política dos mesmos, a fim de se evitar a união deles contra a opressão do governo militar, que reinava absoluto às custas da violência e do autoritarismo.
Coincide com esse processo, o Milagre Econômico Brasileiro, momento em que a economia aparentemente prosperava, a fim de ludibriar a maioria da população, para que essa não questionasse as atitudes do governo brasileiro, que além de comandar o país com mãos de ferro, entregava-os às mãos do capital internacional, num caminho sem volta. Era preciso uma educação que formasse trabalhadores, apenas, não intelectuais, pois estes, eram a grande pedra no sapato do governo, desde 1964, momento em que o Golpe Militar se instalou.
Por último, após a pseudo-democracia do Brasil, a Educação foi sendo desvalorizada, através da falta de infra-estrutura, dos baixos salários dos profissionais de educação, etc. Mas, era preciso dar um basta na grande vergonha nacional, que eram os altos índices de analfabetismo, em plena década de 90.
Por outro lado, a Educação não poderia avançar tanto, porque segundo a nova constituição de 1988, o voto era obrigatório. Portanto, eleitores conscientes representariam um perigo e tanto aos novos governantes, que necessitariam deste momento em diante, do voto de milhares de pessoas.
Em 1996, foi lançada uma nova LDB, cuja finalidade era adaptar-se a essa nova realidade. Mudam-se novamente as divisões e objetivos do ensino: Fundamental e Médio, onde o primeiro se subdivide em I e II, o primeiro com relação ao primário e o segundo, com relação ao ginasio. A nova lei, previa uma incrível inclusão.
A Educação passou a incluir a todos, não para que todos tivessem conhecimento, mas, para que os números pudessem mostrar uma evolução nos tais índices vergonhosos. Para obter empréstimos, houve uma reestruturação até mesmo dos prédios onde o ensino era dado. Em S. Paulo, por exemplo, as escolas foram separadas, a fim de oferecerem ensino fundamental e médio em ambientes diferentes, para atender a uma exigência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento - ligado ao FMI).
Para completar o pacote, era necessário acabar com os altos índices de repetência e evasão escolar, foi implatado o sistema de progressão continuada no ensino, em que o aluno só reprovaria ao final dos ciclos de estudos, na 4ª série e na 8ª série do Ensino Fundamental. Esse projeto pedagógico, originado na Inglaterra, consistiu num verdadeiro desastre, pois, o que se tem atualmente são milhares de alunos formados, com inúmeros problemas de aprendizado, compondo uma grande massa de analfabetos funcionais.
Tudo isso, resultou um caos, que se aprofunda a cada dia, em que o professor perde a autoridade, a dignidade e o respeito, pois não tem valorizada a sua profissão. A sociedade, por sua vez, delega à escola toda a responsabilidade pela educação da pessoa desde a mais tenra idade, não apenas a formação intelectual, mas toda a plenitude da palavra, desde os hábitos triviais da pessoa humana.
Sendo assim, o professor é responsabilizado por todo o processo, e o aluno, fica cada vez mais isento de seu cumprimento de dever. Muitas famílias cobram dos professores, pelo mau desempenho de seus filhos, como se estes tivessem culpa pelo descompromisso, falta de zelo e interesse em aprender.
Essa imagem comparativa, portanto, mostra o caos de toda essa trajetória. Cabe a todos nós mudar esse quadro, pois, um país que deixa a Educação chegar a essa situação caótica, perde a genialidade de toda uma geração e é isso que tem ocorrido nas últimas décadas. Quantas gerações mais deixaremos se perder?
sábado, 27 de junho de 2009
Alunos da escola pública, sim senhor:
Essa semana vivi uma experiência enriquecedora. Com outros colegas, levamos um grupo de 35 alunos, ao programa Altas Horas, na Globo. Estivemos presentes na gravação que vai ao ar na próxima madrugada.
Na ocasião, além dos alunos da Escola Charles de Gaulle, estavam presentes alunos da faculdade de Enfermagem da Santa Casa, alunos de escolas particulares de Brasília e da Baixada Santista e alunos do cursinho Objetivo de Santo Amaro. Todos, empolgados e com os excessos próprios da juventude.
O que me chamou especialmente a atenção, foi o fato de os alunos da nossa escola pública, se portarem melhor que os colegas das instituições particulares. Isso demonstra, que na escola pública há pessoas com a mesma qualidade que nas instituições pagas.
Nossos alunos deram show não apenas no comportamento em si, mas, na maneira como se vestiram, na interação durante o programa, sempre com perguntas bem inteligentes. Fiquei orgulhosíssima de todos eles.
Aos hipócritas, isso serve de reflexão, pois não dão o devido valor àqueles que vem das áreas mais pobres das cidades. Tratam-nos como se fossem um bando de coitadinhos e o pior: não movem uma palha para ajudar a melhorar a qualidade da escola pública.
Aluno da escola pública, sim senhor! São capazes de tudo o que quiserem. Basta que lhes deem as oportunidades e eles brilharão.
So-le-tran-do:
Há uma semana, foi ao ar, na Globo, a final do Soletrando, quadro do programa Caldeirão do Huck, em que estudantes do Ensino Fundamental de todo o Brasil soletram palavras díficeis, objetivando um prêmio de cem mil reais, além de bolsas de estudos, computadores, etc. A proposta é incentivar os alunos a tomarem gosto pela língua pátria e desenvolverem a habilidade de concentração e decorarem regras e palavras do vocabulário.
O interessante é perceber como esse tipo de projeto é capaz de envolver a comunidade escolar e despertar o interesse dos jovens. O bom desempenho dos alunos do nordeste, mostra a dinâmica do programa, em que a superação é fundamental.
A vitória da pernambucana Larissa Oliveira (por quem eu torcia), reflete essa imensa capacidade de auto-domínio e da técnica. Além disso, foi impactante a generosidade da participante, que ao sagrar-se campeão, concedeu parte do prêmio aos adversários.
Esse tipo de iniciativa é de suma importância, pois leva os jovens a focarem suas energias numa atividade que os levará a um futuro brilhante: os estudos. Parabéns a toda a equipe do Caldeirão por mais essa iniciativa.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
King of Pop:

É com profundo pesar que escrevo essas linhas hoje. Nelas, devo registrar o inacreditável: a morte do maior ídolo do Pop. Um mito, uma lenda, um ícone. Michael Jackson, foi uma criança prodígio, capaz de trazer de volta o brilho da música americana. Muito mais que um fenômeno de vendas, o percursor de tudo de bom que aconteceu na música recente, seja pelo modo como cantava, seja pelo modo como encantava com coreografias maravilhosas.
Há muito, eu já previa essa notícia, devido à fragilidade de sua saúde, no entanto, aguardava ansiosa o desfecho de sua carreira, com os shows de sua última turnê que realizar-se-ia em julho, na cidade de Londres. É estranho como a vida reserva essas surpresas, deixando a gente sem saber o que dizer, o que pensar e o que sentir.
A morte de Michael Jackson, me faz pensar na minha infância, nas coisas que eu cresci escutando e vi repercutindo sobre essa pessoa ao mesmo tempo doce e excêntrica. Por causa de Michael, tenho um primo com esse nome e tenho inúmeros alunos. O mesmo motivo que me leva aos Jacksons da minha vida.
O rei do pop, em sua passagem pela Terra, soube ser contraditório, generoso, solidário, incompreendido e solitário. Capaz de despertar a atenção de todos por sua genialidade e por seus deslizes.
Muito do que foi divulgado a seu respeito, merece atenção, acredito mesmo que Michael tenha realmente praticado pedofilia, pois a própria psicologia diz que o individuo que sofre violência e abusos na infância, pode vir a tornar-se um agressor. Quem conhece a história do cantor, sabe da infância de torturas que ele viveu, nas mãos de um pai insano, que retirou dos filhos a possibilidade de viver sua infância.
Há uns 15 anos, a Globo exibiu um documentário em formato de minissérie, no qual, mostrava a trajetória da família Jackson. Eu tinha uns nove anos e lembro-me de ficar horrorizada com as cenas que vi: castigo, surras, uma rotina pesadíssima de ensaios, a custo de lágrimas e sofrimentos.
Nunca julguei o cantor por suas atitudes, pois entendo que quem passou pelas tribulações que ele viveu, não poderia ser equilibrado mesmo. O interessante mesmo é ter brotado tamanha genialidade no meio de tanta pressão emocional, moral e psicológica.
Quando comecei a acompanhar essa mudança na cutis do cantor, imediatamente associei ao sofrimento do cantor. Não acredito que ele não se aceitasse como negro, mas, penso que era a dolorida relação dele com a família, que o levava a essa distorção no corpo.
Seu falecimento, encerra uma fase muito importante no cenário musical, em que o homem e o show se combinaram. Todas essas megas produções começaram com ele e Madonna. Mas, a imprensa, enquanto ele vivia, preferia ceder espaço aos fatos que manchavam a sua imagem.
Fico triste por ver dias como esse, em que a imprensa o endeusa. A mesma imprensa que em março o criticava, o espezinhava e o humilhava.
Por outro lado, sei que a morte tem dois viés: o do corpo físico e a da memória. O corpo se vai, porém, ninguém o apagará da História assim tão cedo, pois, dificilmente alguém venderá mais de 170 milhões de discos, como Michael Jackson conseguiu com o seu brilhante trabalho de 1982 - Triller.
Descanse em paz, Michael Jackson. Quem é rei, nunca perde a magestade. You are king of pop!!!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Começa o desmonte na Educação de S. Paulo:
Nessa madrugada, foi votado o pacote nefasto de Serra contra a Educação de S. Paulo. Através das PLC's 19 e 20, fica estabelecido o fim dos professores temporários, a redução da licença gala (lua-de-mel) e nojo (por falecimento de ente querido), de oito para dois dias e a mudança das jornadas de trabalho.
Tudo isso, demonstrando a falta de caráter dos parlamentares paulistas, que votam na calada da noite, em favor do governador e de seus interesses, não representando os interesses dos eleitores, mas os que beneficiam a si mesmo. Com a aprovação dessas leis, está aberto o caminho para que o governador tucano possa fazer valer seu projeto de privatização da escola pública.
Na Globo, já se fazem inúmeras reportagens sobre os benefícios das parcerias das empresas privadas com as escolas públicas, a fim de melhorar a educação. O que está por trás desse conteúdo, é a intenção de colocar empresas nesse espaço público, para que elas lucrem milhões e gastem pouco, seja na contratação de mão-de-obra barata, seja na formação dessa mesma mão-de-obra barata.
O mesmo governo que alega não ter como gerir o sistema educacional, é o mesmo que gasta milhões em contratos com empresas do porte da Editora Veja e da Fundação Roberto Marinho, para implementar projetos pedagógicos feitos sem a participação dos educadores.
De agora em diante, o que se espera é a precarização do sistema a fim de garantir ao tucanato a conclusão desse projeto. Salve-se quem puder na Educação!!!
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